Endometriose: Uma das maiores inimigas das mulheres

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Para a maioria das mulheres o período menstrual é um pesadelo, algumas ficam sensíveis, outras ficam irritadíssimas, e tem aquelas que, para piorar tudo, sentem uma dor insuportável e incapacitante. Uma das possíveis causas de dor intensa pode ser a Endometriose, uma doença ginecológica que é uma das grandes vilãs na vida da mulher.

O que é endometriose? É a presença de endométrio, que é o tecido interno do útero, implantado em outros órgãos. Numa linguagem simples podemos dizer que em vez desse tecido se limitar a revestir a cavidade uterina e prepará-la para receber um embrião, algumas células “escapam” e se espalham para outros órgãos, formando focos que agem como se ainda estivessem no útero. Ou seja, sangram na época da menstruação, provocam cólicas, sem contar inflamação, desconforto durante o sexo, alterações urinárias e até mesmo a infertilidade. Alguns dos órgãos que podem ser afetados são os que se encontram na cavidade abdominal, como ovários, intestino, bexiga e trompas.

De acordo com a Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia a doença afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva, de 14 a 45 anos. Nesta segunda reportagem sobre doenças ginecológicas vamos entender um pouco mais sobre a endometriose. O jornal O Celeiro conversou com a médica ginecologista, Natália Gerhke Gomes que nos auxiliou a entender e conhecer um pouco mais o universo feminino.

A suspeita da endometriose geralmente é feita com base na análise médica após observar os sintomas. Mas a comprovação da presença de focos de endometriose não é possível com um exame de ultrassom simples, tornando necessária a investigação por meio de ressonância magnética. A cirurgia vídeo laparoscópica confirma o diagnóstico mediante retirada dos focos endometrióticos da cavidade e análise por microscópio. Em virtude da dor ser intensa, a maioria das mulheres procura ajuda para minimizá-la ao máximo. Não há cura para a endometriose, mas dá para combater os focos dela e praticamente anular os sintomas.

Para isso, os médicos geralmente indicam o uso de anticoncepcionais para o alivio das dores. Por que o anticoncepcional? Bem, todo mês o corpo da mulher se prepara para engravidar. Os ovários produzem hormônios que estimulam as células internas do útero (o endométrio) a se multiplicarem e se prepararem para receber um óvulo fertilizado. Se não houve a fecundação, o endométrio é eliminado durante a menstruação. No caso de quem tem a endometriose, esse hormônio produzido irá alimentar todos os focos de endométrio que se encontram espalhados, aumentando a dor. Para inibir a produção hormonal e estímulo endometrial o uso do anticoncepcional é indicado.

Além dos tratamentos medicamentosos, alguns médicos podem indicar a cirurgia laparoscópica, que é mais recomendada para quem apresenta quadro de dor extrema. Em situações específicas pode ser necessário a retirada do útero – procedimento chamado de histerectomia, mas essa decisão mais invasiva é indicada principalmente para mulheres que já tiveram filhos.

Para promover mais bem-estar às mulheres que sofrem com a endometriose a realização de atividades físicas regulares é aconselhada pelos médicos, pois ajuda a liberar substâncias que aliviam a dor. Rotina saudável também é importante para melhorar a qualidade de vida.  Apesar de ser uma doença crônica, a endometriose tende a regredir espontaneamente com a menopausa, em razão da queda na produção dos hormônios femininos.

Posso engravidar?

Sim, é possível, mas quem tem endometriose poderá ter dificuldades para engravidar, principalmente se os ovários e tubas uterinas estiverem comprometidos. Quando o tecido endometrial que reveste o útero internamente se espalha pela cavidade abdominal, ele pode causar aderências em diversos tecidos e órgãos comprometendo seu funcionamento. Se o funcionamento dos ovários ou das trompas estiver comprometido, impedindo a livre produção e circulação do óvulo, recomenda-se um tratamento médico que possa retirar todo o tecido endometrial que esteja dificultando a gravidez. Por vezes são necessárias técnicas de reprodução assistida. O acompanhamento médico é essencial para ter um tratamento específico, haja vista que o uso de anticoncepcional deverá ser suspenso. Mesmo que não tenham relação uma com a outra, é possível que a mulher tenha a endometriose e a síndrome dos ovários policísticos (SOP) ao mesmo tempo. Neste caso a mulher terá ainda mais dificuldade para engravidar.

Apesar de não apresentar maiores riscos à vida da paciente, a endometriose tende a diminuir a qualidade de vida das mulheres. Nos casos mais extremos, nos períodos menstruais, as mulheres ficam impedidas de realizarem atividades comuns do dia a dia. Quem convive com a doença relata situações de grande desconforto e mal-estar.

Os homens que convivem com mulheres que apresentam a doença precisam conhecer sobre e entender que as dores são realmente incapacitantes. Melhoras podem ser conseguidas por meio de mais conhecimentos sobre a doença e por meio de visitas constantes ao ginecologista. Pelo menos uma vez ao ano é importante que todas as mulheres dediquem um dia para se cuidarem e se prevenirem contra doenças.

*Reportagem publicada no jornal “O Celeiro”, Edição 1574 de 18 de abril de 2019.

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