Vencer o HPV: ideias de um expert brasileiro e de uma australiana

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Quase 80% da população paranaense têm direito à vacina contra a Hepatite B. Foto: SESA

câncer de colo de útero seria virtualmente erradicado se acabássemos com o HPV. E olha que essa está longe de ser a única doença causada pelo vírus — o sexo masculino também sofre com verrugas genitais e tumores, como o de ânus e pênis.

Está claro, portanto, que não devemos menosprezar esse adversário da saúde. Mas como se proteger e quais os principais avanços e desafios que temos pela frente? Para pegar perspectivas diferentes sobre o assunto, entrevistamos um especialista brasileiro e uma expert da Austrália, país considerado uma referência na luta contra esse mal.

De um lado, temos Edison Fedrizzi, ginecologista da Universidade Federal de Santa Catarina e chefe do Projeto HPV, um centro de pesquisa clínica focado no problema. Do outro, Suzanne Garland, médica que ajudou a introduzir a vacinação na Austrália e que, hoje, é diretora do Centro de Doenças Infecciosas da Mulher do Royal Women’s Hospital.

Ambos responderam as mesmas perguntas para que você veja pontos de vista diferentes sobre o HPV. Embora cada um ofereça análises únicas, os dois concordam em um aspecto fundamental: sem vacinação, não há como frear essa epidemia e suas consequências à saúde.

1) O preconceito por trás da vacina de ainda é um problema para ampliar a adesão?

Edison Fedrizzi (Brasil): Não. O pensamento de que a vacina estimularia comportamentos sexuais de risco não se confirmou nos estudos com ou sem a vacina contra o HPV. Aconteceu inclusive o contrário: mulheres imunizadas tinham mais informações sobre anticoncepção adequada e sexo seguro do que as outras.

Suzanne Garland (Austrália): Não há dúvidas de que vacinar e educar os jovens sobre HPV leva a um menor risco no comportamento sexual. O mesmo acontece quando educamos as pessoas sobre contracepção. Isso não as torna mais promíscuas, como às vezes é alardeado.

2) Quais os principais desafios para o controle do HPV?

Edison Fedrizzi: Nos últimos anos, temos visto uma redução do uso do preservativo em todas as idades no Brasil. Uma das prováveis causas disso é a diminuição do temor da aids, que deixou de ser uma doença letal e passou a ser uma infecção crônica, com boas perspectivas de controle.

Outro fator que dificulta o controle do HPV é a troca frequente de parceiros sexuais nos dias de hoje, fazendo com que o risco de entrar em contato com o vírus seja maior. Portanto, a forma mais eficaz de enfrentá-lo é com a vacinação, cujo maior desafio é ter uma cobertura adequada, acima de 80% na população. E isso tanto para as meninas quanto para os meninos.

Suzanne Garland: Temos vacinas preventivas disponíveis. O mais desafiador é colocar a agulha da seringa no braço dos jovens antes de eles se tornarem sexualmente ativos e infectados com HPV. Com uma alta taxa de cobertura, notamos uma diminuição da infecção e das doenças relacionadas a ela na Austrália.

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